terça-feira, 15 de julho de 2014

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terça-feira, 25 de março de 2014

Ocupa/Ação

“Aos nove anos de idade, eu roubava as bonecas das minhas amigas. Meu intuito era criar vestidos. Passava noites a fio, costurando escondido no meu quarto, pois tinha medo que alguém soubesse. Debaixo das cobertas eu passava manualmente a agulha para unir velhos retalhos doados pela costureira Jandira. Acreditava que minhas amigas não tivessem notado o sumiço de suas bonecas. Quando eu as devolvia, minhas amigas e eu tomávamos chás com biscoito debaixo de alguma sombra dos nossos quintais. Desfiles e escolha da Rainha eram realizados durante o chá. No fundo não importava qual amiga venceria, já me sentia a Rainha de todas, elas vestiam vestidos feitos por mim em noites veladas no meu universo particular.”


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Lantejoulas

Bom dia sobreviventes (ARTISTAS/GUERREIROS), ontem fui até a Estação da Cultura informar que hoje pela manhã iria buscar o material que havia deixado. Fui muito bem recebido pela secretária, nisso aparece a senhora da limpeza (funcionária municipal) e questiona a bagunça que foi deixada no local - o local ficou sujo, pois havíamos trabalhado, normal como em qualquer outro lugar onde se trabalha.
A mesma senhora da limpeza questionou que os lixos estavam cheios e que se não cuidássemos, o local não seria emprestado novamente - enquanto isso a simpática secretária observava o discurso da senhora da limpeza. Como aprendi que às vezes pedimos desculpas com o objetivo de ter uma boa convivência com as pessoas e não pelo fato delas estarem certas, foi o que eu fiz, pedi desculpas à senhora da limpeza e lhe perguntei o que estava sujando o local. Ela estufando o peito, apontado com o dedo para mim e, com os olhos arregalados, prontamente disse: lantejoulas, joaninhas, alfinetes... Novamente eu pedi desculpas e disse que retornaria no outro dia.
Ontem mesmo retornei para buscar uma parte do material, me dirigi a sala da secretária. Fui surpreendido ao encontrar a senhora da limpeza sentada à frente do computador, no nível 37 de Candy Crush. Sorri, uma gargalhada interna tomou conta dos meus pensamentos, e conclui que a ação artística que realizamos no domingo, deixando vestígios (que tanto incomodaram a senhora da limpeza) foram válidos.
No momento em que pedi à Michele Martines transformar aquele lugar numa repartição pública, e que os modelos usassem o lugar como funcionários que estavam ali para comer bananas e ver a hora passar, era justamente, a imagem da senhora da limpeza jogando Candy Crush que eu queria naquele momento. Tudo foi válido, inclusive as lantejoulas e demais vestígios no chão. Essa não é a justificativa da nossa ação de domingo, mas um reflexo dos nossos questionamentos. #carnavaldofimdomundo

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Chicken Parade

A série Chicken Parade é um trocadilho proposital ao Cowparade – evento de arte pública onde vacas de fibra de vidro são decoradas por artistas locais e distribuídas pelas cidades, em locais públicos como estações de metrô, avenidas e parques. Após a exposição, as vacas são leiloadas e o dinheiro é entregue para instituições beneficentes.

As galinhas não são animais sagrados como as vacas. São os animais domésticos mais difundidos e abundante do planeta. As primeiras referências de domesticação desse animal, surgem nas cerâmicas coríntias datadas do século VII a.C. .
A Nestlé e a sua agência de propaganda na época, a Norton Publicidade, encontraram uma estratégia de comunicação inteligente. Por que não criar a "Galinha Azul", uma galinha nobre, que, além de ser especial (sangue azul), ainda pudesse, pelas suas características, proporcionar um excelente "gancho" para estimular a lembrança da marca. Surgiu o personagem e o slogan "O CALDO NOBRE DA GALINHA AZUL", que viriam a se transformar em um dos casos de maior impacto e sucesso na comunicação brasileira.
Tendo em vista um salão de arte 10x10, me apropriei das miniaturas (relíquias que remetem as memórias da minha infância) que enfeitavam a estante do meu quarto, e as impregnei com minhas histórias, crenças e vivências.
Quando criança tinha como habito “sequestrar” as bonecas Barbies das minhas primas e as devolver, depois de alguns dias, com roupas confeccionadas por mim. Na obra Chicken Parade – Galinha Americana, resgato o meu fascínio de quando criança pela boneca Barbie, e meus questionamentos pelos padrões de beleza estabelecidos pelo sistema da moda e de consumo, além da figura feminina como objeto de exploração e escravização sexual. Utilizo a cabeça de borracha da boneca e acoplo na miniatura pintada com esmalte para unhas na cor rosa cintilante. Na face sorridente, mesmo tendo os cabelos mutilados (deixando somente uma trança que percorre o dorso, como um chicote que percorre o corpo), desenho de forma corriqueira estrelas na lateral esquerda do objeto, mascarando o sorriso inerte e submisso.

 
Chicken Parade – Galinha Americana
 
Chicken Parade – Galinha Americana

Chicken Parade – Galinha Americana
 
 Quem nunca viu, nas encruzilhadas da vida, uma galinha preta num despacho? Na obra Chicken Parade – Galinha de Encruzilhada cubro com tinta esmalte preta e desenho arabescos pontilhados na cor bege, a miniatura da galinha, além de adornar o pescoço com colares de miçangas amarela. Os pontilhados lembram a padronagem da galinha de angola, conhecida também por servir de oferenda em alguns rituais, especialmente para Oxum. Já os arabescos são referentes as imagens de galos comumente encontrados nos artesanatos portugueses. Oxum tem como cor o amarelo que representa a riqueza e a fartura.
ChikenParade – Galinha de Encruzilhada

ChikenParade – Galinha de Encruzilhada

ChikenParade – Galinha de Encruzilhada
 
Certa vez quando criança, me perguntaram o que queria ser quando eu crescesse, sem nenhuma vergonha disse que queria ser Rei Momo. Na obra ChickenParade – Clóvis Bornay, utilizando instrumentos do meu cotidiano como figurinista, resgato através das minhas memórias, através das transmissões da extinta TV Manchete, os concursos de fantasias de carnaval do Copa Cabana Palace, na década de 80.

 ChickenParade – Clóvis Bornay
 
ChickenParade – Clóvis Bornay

ChickenParade – Clóvis Bornay
 
Autor: Fabrizio Rodrigues
Fotografias: Estevão Dornelles