“Aos
nove anos de idade, eu roubava as bonecas das minhas amigas. Meu intuito era
criar vestidos. Passava noites a fio, costurando escondido no meu quarto, pois
tinha medo que alguém soubesse. Debaixo das cobertas eu passava manualmente a
agulha para unir velhos retalhos doados pela costureira Jandira. Acreditava que
minhas amigas não tivessem notado o sumiço de suas bonecas. Quando eu as
devolvia, minhas amigas e eu tomávamos chás com biscoito debaixo de alguma
sombra dos nossos quintais. Desfiles e escolha da Rainha eram realizados
durante o chá. No fundo não importava qual amiga venceria, já me sentia a
Rainha de todas, elas vestiam vestidos feitos por mim em noites veladas no meu
universo particular.”